Existe uma cena comum nas organizações. Um gestor recebe um problema, reúne as informações necessárias, conversa com quem precisa conversar, chega a uma conclusão plausível e, quando aparentemente “só” falta decidir, surge a pergunta: “quem é que vai validar?”

Em muitos casos alguém precisa validar mesmo. Existem decisões cujo impacto, risco ou abrangência justificam que sejam tomadas em níveis superiores da organização. O gargalo aparece, a meu ver, quando essa pergunta deixa de ser exceção e vira regra para qualquer coisa.

Nesse momento, já não estamos falando somente de um gestor inseguro ou de uma equipe que “não tem autonomia”. Pode ser que estejamos diante de alguma coisa que a própria organização ensinou como padrão.

Durante muito tempo achei curioso ouvir empresas defenderem simultaneamente agilidade, protagonismo, senso de dono e estruturas nas quais uma quantidade enorme de decisões continua percorrendo invariavelmente o caminho “de baixo para cima” no organograma. Em algum momento alguém percebe a contradição e conclui que as pessoas precisam “assumir mais responsabilidade”.

Pode ser que sim…

Mas existe outra hipótese mais interessante pra mim: e se escalar a decisão for, naquele sistema, o comportamento mais racional?

Se alguém já aprendeu que uma decisão correta raramente recebe atenção, enquanto uma decisão errada pode ser cobrada individualmente; se as alçadas não estão claras; se decisões delegadas são frequentemente revistas pelo nível superior; ou se “autonomia” significa decidir desde que a decisão seja exatamente aquela que o superior tomaria, entendo que pedir autorização não seja sinal de pouca iniciativa, talvez seja adaptação.

E aí a discussão muda bastante.

Vale a leitura: a McKinsey discute justamente como microgestão, delegação incompleta e medo do erro acabam ensinando as pessoas a escalar decisões que poderiam ser tomadas mais abaixo na organização. Vale a leitura: https://www.mckinsey.com/capabilities/people-and-organization/our-insights/the-organization-blog/decision-making-how-leaders-can-get-out-of-the-way

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